É permitido discordar

O direito de expressar opinião vem junto com a necessidade de conviver com pontos de vista diferentes, sem que precisemos diminuir, xingar, excluir ou cancelar o outro

Por Anik Suzuki

Respeitar quem pensa diferente será prática necessária especialmente neste ano, pois o choque de ideias, assim como de narrativas, costuma se intensificar durante períodos eleitorais – Foto: Shutterstock

A realidade nos mostra que a era da opinião veio para ficar. Se você parar para pensar, nunca foi tão impactado pelas muitas opiniões que chegam não só pelos espaços na imprensa, mas também por grupos de mensagens, redes sociais, podcasts e tantos outros canais. Pessoalmente, considero uma evolução da nossa sociedade, que se sente encorajada a pensar e expor suas opiniões. Nem sempre foi assim.

Por outro lado, me intriga que ao mesmo tempo que vivenciamos o livre pensar e a liberdade de manifestação, experimentamos tamanha dificuldade de convivência com aqueles que pensam diferente de nós. O direito de expressar opinião vem junto com a necessidade de conviver com pontos de vista diferentes, sem que precisemos diminuir, xingar, excluir ou cancelar o outro.

Respeitar quem pensa diferente será prática necessária especialmente neste ano, pois o choque de ideias, assim como de narrativas, costuma se intensificar durante períodos eleitorais. Haverá disputa em 5.568 municípios, com mais de 150 milhões de pessoas aptas a votar. Além de temas locais, questões da pauta nacional certamente serão incluídas no debate. Em termos globais, mais da metade da população mundial vive hoje em países que terão eleições este ano, Estados Unidos entre eles. É potencial para problemas que não acaba mais.

Além disso, a inteligência artificial, com suas múltiplas vantagens e armadilhas, entrará de vez nas campanhas. O alerta tem de ser redobrado, pois é fértil o terreno para desinformação, fake news, ataques às reputações de pessoas, candidatos ou não, e empresas.

Cresce ainda mais a responsabilidade do jornalismo profissional em noticiar os fatos, com verdade, pluralidade e independência para subsidiar a formação de opinião de maneira autônoma. É uma via de mão dupla: o jornalismo tem seu papel, e nós, cidadãos, também, buscando fontes de informação sérias, checando o que parece duvidoso, não compartilhando notícias falsas e, principalmente, sabendo que conhecer diferentes opiniões é a melhor forma de qualificar a nossa.

Anik Suzuki, CEO da ANK Reputation e membro do Conselho Editorial da RBS
aniksuzuki@ankreputationfeed.com.br

  • Artigo publicado originalmente em Zero Hora em 6 de abril de 2024

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