Por que a geração 50+ pode favorecer a reputação nas empresas

Especialistas apontam que diversidade etária contribui para compartilhamento de experiências e para imagem positiva junto a stakeholders Mariana Mondini

Representatividade e diversidade enriquecem o ambiente corporativo – Foto: Shutterstock /RF

Talvez você se lembre de uma comédia estrelada por Robert De Niro, em que o ator interpreta um viúvo de 70 anos contratado como estagiário em uma empresa. De forma bem-humorada e leve, o choque geracional foi retratado por Hollywood em “Um Senhor Estagiário” e jogou luz ao assunto. À época, pouco se falava em termos como etarismo ou edadismo (preconceito contra pessoas por causa de sua idade), pautas evidenciadas na agenda ESG e com impacto na reputação das empresas, que já entendem a necessidade de olhar e se posicionar sobre a empregabilidade das gerações acima dos 50, mas ainda com trabalho a fazer.

“Quando se fala de diversidade, equidade e inclusão, estamos direcionados para algumas agendas mais barulhentas, e tudo certo. No entanto, o tema etarismo passa pelas beiradas, ninguém enxerga como algo que precisa ser enfrentado, afirma Oliver Kamakura, sócio da prática de People Advisory Services da EY. “E essa é a única agenda que bate horizontalmente em todo mundo. Já observamos uma movimentação do mercado e o fortalecimento de diversas iniciativas de empregabilidade de profissionais 50+, mas é preciso que seja ainda mais difundido para garantirmos a diversidade etária nas empresas.”

Oliver EY
Iniciativas para empregar pessoas acima dos 50 aumentaram, mas precisam ser mais difundidas, afirma Oliver – Foto: Divulgação

Líderes estimam reflexos positivos do envelhecimento

Pesquisa da EY Brasil, em parceria com a Maturi, intitulada “Por que pessoas 50+ não são consideradas como força de trabalho em um país que envelhece?”, aponta que três em cada cinco líderes afirmaram acreditar que o envelhecimento da população terá impactos para a sua empresa, 41% já sentem esses impactos e 88% concordam total ou parcialmente com a afirmação de que as empresas que se prepararem para o envelhecimento estarão em vantagem. A boa notícia é que as empresas entrevistadas avaliam que esse aspecto representa mais efeitos positivos do que negativos sobre os negócios.

Os efeitos:
Fonte: Estudo EY Brasil/Maturi (julho de 2022) – “Por que pessoas 50+ não são consideradas como força de trabalho em um país que envelhece?”

Posicionamento consciente e representatividade

Além de visualizarem impactos positivos sob o ponto de vista interno, stakeholders externos estão demandando cada vez mais o olhar atento de empresas e lideranças para a agenda geracional, que tem repercussões importantes no aspecto reputação. Segundo Oliver, em entrevistas, candidatos mostram claramente interesse a respeito da agenda que excede à tradicional. “Ou seja, uma empresa que se posiciona conscientemente em uma temática como a do etarismo não está cega e leva uma mensagem positiva para quem observa de fora”, afirma.

Trocas de experiências favorecem produção de conhecimento – Foto: Divulgação

Juliana Ramalho, CEO da Talento Sênior, que atua com inclusão de profissionais 45+ no mercado de trabalho, recomenda que a integração de gerações deve ser fomentada pelas lideranças, evitando, assim, conflitos. “O Brasil não pode se dar ao luxo de dispensar conhecimento, e isso passa por lideranças que promovam ambientes de trabalho de troca de experiências e vivências”, reforça.

A população com 50+ no Brasil já soma 57,4 milhões de pessoas, segundo dados de dezembro passado do Boletim Mercado de Trabalho 50+, do Instituto de Longevidade. O mesmo estudo mostra que 41,9% desse total está ativo no mercado de trabalho. Até 2040, mais da metade da população terá acima de 50 anos. Isso significa que, cada vez mais, esse grupo significativo de pessoas fará parte do mercado de trabalho, o que não exclui a necessidade de aprendizado e atualização constantes.

Diálogo com ideias diferentes melhora a entrega nas empresas

Atenta às mudanças sociais e disposta a buscar no mercado habilidades específicas para algumas de suas funções, a Gol criou, já em 2017, o programa Experiência na Bagagem, inciativa para estimular a contratação de profissionais mais experientes para vagas de atendimento ao público em aeroportos, por exemplo. Hoje, 13% de um universo de 14 mil colaboradores tem idade superior a 50 anos de idade na companhia. “Transportamos 30 milhões de passageiros todos os anos. Transportamos diversidade. Então, temos que ter a diversidade representada na companhia”, afirmou Jean Carlo Nogueira, diretor-executivo de Gente e Cultura empresa aérea, em entrevista publicada no Reputation Feed.

A CDO e principal research da Talento Sênior, Cristina Sabbag, corrobora que a reputação está diretamente relacionada à representatividade nas empresas: “As pessoas precisam sair das bolhas e aprender a dialogar com ideias diferentes. Isso vai melhorar a entrega das empresas e, consequentemente, impactar em sustentabilidade. E o cliente vai se sentir mais representado. Se não pensarem em todos os extratos de gerações, as empresas terão problemas”, acredita.

Cliente sente-se mais representado com diversidade de ideias nas empresas, diz Cristina – Foto: Divulgação

Mariana Mondini é jornalista e consultora da ANK Reputation
mariana.mondini@ankreputation.com.br


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