
As pessoas tendem a confiar mais nas empresas do que em suas inovações. Confiam também, majoritariamente, mais nas empresas para a integração de inovações na sociedade do que em outros entes da sociedade, mostra texto no portal de notícias Coletiva.net intitulado “Reputação e inovação: aliados para o crescimento de marcas”, assinado pela repórter Jéssica Mello.
Anik Suzuki, fundadora e CEO da ANK Reputation, explica na matéria que isso ocorre porque as inovações são experimentações que ainda não se confirmaram no mercado. “É natural que haja uma desconfiança maior porque os temas apresentados ainda não são totalmente conhecidos”, diz. “As empresas já estabelecidas gerarão mais confiança do que suas promessas de inovação.”
O texto traz dados da 24ª edição do Edelman Trust Barometer – Relatório Brasil, estudo anual conduzido por essa agência global de comunicação. Uma das conclusões do levantamento é que a confiança nos setores não garante confiança nas inovações que promovem. Entre os brasileiros, por exemplo, 79% confiam em organizações do setor de tecnologia, mas apenas 53% acreditam na Inteligência Artificial (IA), uma diferença de 26 pontos.
Ainda assim, quando se trata de inovação, as empresas no Brasil são vistas como mais confiáveis (63%) do que ONGs (52%), mídia (50%) e governo (46%) no caso da integração de inovações na sociedade (ver quadro). Entre os entrevistados no Brasil – foram ouvidos 32 mil em 28 países –, a maioria diz que o governo não tem competência para legislar sobre as inovações que estão surgindo e que reguladores governamentais não entendem adequadamente as tecnologias emergentes para regulá-las efetivamente.

Atenção ao resultado
Anik atribui o fato de os governos estarem pior avaliados no quesito confiança a sucessivas denúncias de corrupção. Chama a atenção também que a preocupação com o resultado é expressivamente maior na iniciativa privada. “Qualquer empresa, independente do tamanho e do tempo de existência, tem muito a perder. Um deslize, uma crise, um problema de reputação pode ser o fim do negócio, o que não acontece com governos, partidos ou políticos.”
O gestor executivo do Tecnosinos, Silvio Bitencourt da Silva, outro entrevistado, entende que a maior credibilidade das empresas corresponde à percepção de segurança e estabilidade, enquanto as inovações, especialmente as tecnológicas, geram incertezas. Esse é um dos pontos de atenção de uma marca consolidada como a Tramontina, explica a diretora de Marketing Corporativo, Rosane Fantinelli, para quem o foco da empresa é assegurar uma constante melhoria e atender à dinâmica de um mercado sempre em transformação.