
As empresas brasileiras veem o desenvolvimento humano e a atualização de processos como prioridades máximas para 2025, ao mesmo tempo em que o “G” de governança do acrônimo ESG ganha protagonismo em um cenário marcado por crises no meio corporativo. No ano em que o Brasil sedia a COP 30, chama a atenção que, mesmo conscientes de riscos como os relacionados à questão climática, as organizações estejam longe de incluir temas ambientais no topo da lista de prioridades. Essa é a síntese de reportagem publicada pela Exame sobre a sondagem “As prioridades da alta liderança para 2025”, da ANK Reputation, que entrevistou mais de 100 integrantes da mais alta liderança das empresas brasileiras.
“Notamos um maior entendimento do mercado, especialmente por parte dos CEOs, que uma reputação forte garante a lealdade de clientes, eleva a produtividade e estimula a inovação.”
Anik Suzuki, CEO da ANK Reputation
A atualização tecnológica será cada vez mais um imperativo de sobrevivência do negócio. “E a liderança reconhece a urgência de ter as pessoas certas, nos lugares certos, para fazer a transformação acontecer”, afirma Anik Suzuki, fundadora e CEO da ANK Reputation, para quem a menor atenção a outras iniciativas ESG, incluindo questões ambientais, é pontual. “Não acredito que haja uma dissociação entre governança e ESG, pelo contrário”, diz Anik na entrevista à Exame. “Apenas, o holofote está momentaneamente direcionado para um outro tema que requer máxima urgência e tem gerado bastante dor de cabeça às empresas.”
O foco em governança reflete um ambiente empresarial afetado por recentes crises reputacionais de grande repercussão. O levantamento da ANK indica, por exemplo, que “má conduta e comportamento antiético de lideranças e colaboradores” figura como o segundo maior risco na visão dos executivos, atrás apenas de “insegurança cibernética e tratamento de dados”.
Má conduta e omissão
A CEO da ANK ressalta na entrevista que os últimos dois anos foram marcados por crises de imagem e reputação em empresas de médio e grande portes, bastante ruidosas na imprensa e nas redes sociais. Muitas delas foram provocadas por má conduta, omissão, equívocos na tomada de decisão ou deslizes de comunicação e posicionamento de lideranças C-Level.
Um aspecto revelado pelo levantamento, considerado preocupante pela reportagem, é que a maioria das organizações admite estar apenas “parcialmente preparada” para uma adequada gestão de riscos e crises, o que leva a CEO da ANK a fazer um alerta: “Em gestão de crise, não existe meio termo. Ou você está preparado para evitar e/ou mitigar os prejuízos de uma crise ou você não está. E, aí, está tomando um risco que pode custar caríssimo para a sua organização”.
A matéria cita a percepção generalizada entre executivos, registrada pela sondagem, de que uma reputação corporativa sólida impacta positivamente áreas vitais dos negócios. “Recompra e atração de clientes são as áreas mais impactadas”, diz Anik. “Os líderes também destacam o papel da imagem reputacional na gestão de temas sensíveis e crises”.
Os ganhos da reputação
As respostas dos entrevistados demonstram que reputação positiva contribui para atrair talentos, fortalecer relações institucionais e com a imprensa, formar parcerias estratégicas e aprimorar o gerenciamento dos stakeholders. “Notamos um maior entendimento do mercado, especialmente por parte dos CEOs, que uma reputação forte garante a lealdade de clientes, eleva a produtividade e estimula a inovação”, diz Anik, contribuindo também para a manutenção dos melhores profissionais e para reduzir custos. “Além de ativo de valor com impacto nos resultados, a reputação garante maior resiliência em momentos de dificuldade e de crise, colaborando para a longevidade da empresa”, complementa.
O estudo ouviu organizações de diferentes portes – 42% com faturamento acima de R$ 1 bilhão e 36,8% com receitas de até R$ 300 milhões. A sondagem revela que as prioridades variam conforme o porte da empresa:
- Nas grandes corporações (faturamento acima de R$ 1 bilhão), o desenvolvimento de pessoas lidera com folga (78% das menções).
- Nas empresas menores (até R$ 300 milhões), a preocupação com reputação e marca assume protagonismo (53% das citações).
O panorama revelado pela sondagem evidencia um momento de transformação profunda no mundo corporativo brasileiro, em que comunicação e gestão de reputação evoluem de funções táticas para elementos estratégicos. O desafio das corporações, conclui a reportagem da Exame, será integrar estas dimensões de forma que transformação tecnológica, desenvolvimento de talentos, governança corporativa e sustentabilidade se conectem como pilares de uma estratégia unificada.